Minas da Borralha

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Minas da Borralha ou simplesmente Boralha, é uma aldeia localizada na freguesia de Salto, concelho de Montalegre.

É impossível falar da História Mineira de Portugal sem referir a Borralha. Esta pequena aldeia marcou, ao longo do século XX, a história do volfrâmio no Mundo.

Até à 2ª Guerra Mundial, a Borralha dominou a produção de volfrâmio e scheelite em Portugal e ocupava os primeiros lugares na Europa. Só na Borralha se transformavam todo o minério de volfrâmio em ferro-tungsténio.

Com uma superfície de aproximadamente 18 km², o Couto Mineiro da Borralha está inserido entre os concelhos de Montalegre e Vieira do Minho.

A vida nesta região pode ser caraterizada em três diferentes períodos durante a exploração, são eles: desde a sua abertura até finais dos anos 30; durante a 2ª Guerra Mundial e após a Guerra até ao seu fecho.

A exploração iniciou-se no século XIX de uma forma bastante elementar. Baseava-se sobretudo na recolha manual de pedras, na exploração de afloramentos de filões ricos e de zonas aluviais. Com a entrada no século XX, as Minas da Borralha foram entregues à empresa francesa "Compagnie des mines d'étain et de wolfram" e foram construídas as centrais hidroelétricas de Mizarela e Padrões; a mecanização foi-se implementando aos poucos.

Um projeto para produção de ácido túngstico ou de tungsténio metálico, onde fossem absorvidos tanto os minérios de qualidade como os resíduos que resultassem do tratamento desses minerais, acabou por ser abandonado.

Como alternativa decidiu-se produzir o ferro-tungsténio através de dois métodos. O primeiro, que foi rapidamente posto de lado perante a dificuldade em adquirir alumínio granulado, seria a produção da liga através da sílico-aluminotermia. Optou-se então pelo uso de fornos elétricos.

O Couto Mineiro da Borralha foi estabelecido em 1926 com uma superfície de 1179 ha divididos por 36 concessões. Com o decorrer dos anos a superfície e o número de concessões pertencentes ao couto Mineiro foram crescendo.

Durante estes primeiros 40 anos, o mercado do volfrâmio foi marcado por bastantes oscilações no seu preço e durante as épocas de crise, usufruindo da presença de mão-de-obra barata, assistia-se a um aumento da exploração manual.

Foi também neste período que surgiu a trágica silicose, o “mal da mina”. Sem nunca se ter ouvido falar em meios de prevenção, com salários escassos e onde a assistência social era ainda uma realidade bastante distante, a população começa a abandonar os trabalhos subterrâneos, sobejando a mão-de-obra feminina na lavagem e escolha do minério. Assim a empresa foi obrigada a recrutar mão-de-obra na zona do Minho e Porto.

Eram já visíveis as alterações paisagísticas. Por todo o lado se viam escombreiras e buracos enormes nas grandes encostas.

A 2ª Guerra Mundial é uma época fértil para o mercado de volfrâmio. As minas da Borralha passam por grandes mudanças. Novos donos que trazem nova maquinaria e técnicos na expectativa de grandes e rápidos lucros. A empresa cria um sistema de exploração paralelo. Pequenas áreas demarcadas eram entregues a indivíduos ou pequenas empresas. Todo o minério encontrado era entregue à empresa por um preço fixo. Este sistema trouxe até a Borralha pessoas de todas as classes e lugares com o intuito duma riqueza rápida e fácil.

Com o crescimento da empresa, são construídos bairros para os funcionários e intensifica-se a mecanização.

Com o fim da guerra, novos investimentos são feitos. Com o decaimento do preço e procura de volfrâmio, a exploração de estanho surge como uma alternativa. É criada uma fábrica na Borralha para produção de ferro-tungsténio através do sistema eletrotérmico.

Com a guerra da Coreia assiste-se a um novo aumento nos preços levando a alterações no sistema de tratamento. É nesta altura que as flutuações de cobre e prata começam a ser implementadas.

A problemática da poluição do rio aparece e são criadas soluções ecológicas que nunca atingiram a eficácia necessária. Em 1958 instala-se nova crise. A produção excessiva de volfrâmio provoca nova quebra nos mercados e as Minas da Borralha param completamente.

Até 1963, ano em que a mina é vendida ao desbarato, viveram-se 5 anos de crise. Os operários foram dispensados, as instalações degradaram-se e acabaram as atividades recreativas que haviam sido criadas. Sob o nome Mines de Borralha, S.A. e com um regresso lento à atividade em 1963, a mina nunca mais alcança a força anteriormente conseguida.

A exploração avança em profundidade, chega-se ao nível -160 e prossegue-se para o -210. Nas duas décadas que se seguiram a mão-de-obra é incerta. Reinava a emigração. Em 1978 uma empresa anglo-americana assume o controlo da exploração e em 1986 encerram as Minas da Borralha.

As areias, lavadas e britadas são reaproveitadas e a população mineira passa de cerca de 600 para 8 funcionários em 1991. O estado de deterioração em que se encontrava a maquinaria, as inundações e desabamentos acabaram por ditar a impossibilidade de uma exploração futura.

As Minas da Borralha deixaram como herança uma população envelhecida presa às memórias e às ruínas do que outrora foi um ícone na história do volfrâmio mundial.
Cidades vizinhas:
Coordenadas:   41°39'18"N   7°58'44"W
Este artigo foi modificado pela última vez 11 anos atrás